
O presidente do Sport Lisboa e Benfica, Luís Filipe Vieira, discursou esta terça-feira, dia 28 de Fevereiro, na Gala do 108.º aniversário do Clube. Leia a sua intervenção na íntegra:
“Fomos esta manhã surpreendidos com a pior das notícias: o adeus de Jaime Graça. Queria por isso, e antes de mais, pedir uma enorme salva de palmas para alguém cuja memória vai perdurar na história do Sport Lisboa e Benfica.
A Jaime Graça devemos alguns dos momentos mais emblemáticos da nossa história.
Conquistou sete títulos de campeão nacional e mais três Taças de Portugal.
Humilde e dedicado, Jaime Graça foi sempre uma lição para todos nós. Fica a certeza das saudades que nos irá deixar.
Permitam-me – depois desta nota de tristeza e de pesar pelo desaparecimento de um dos nossos – que continue a minha intervenção com uma palavra clara de optimismo em relação ao nosso futuro. Não sou dos que me deixo abater pelas dificuldades, nem sou daqueles que quando atravessamos tempestades começam logo a dizer que está tudo mal.
O carácter dos campeões revela-se em momentos como este, em que não podemos permitir que o ruído dos pessimistas abafe a nossa vontade e a nossa determinação.
Quando as dificuldades surgem só temos uma coisa a fazer: unir esforços para seguir em frente. É isto que espero de todos nesta sala!
Celebrar a memória de um Clube como o Sport Lisboa e Benfica é acima de tudo celebrar mais o nosso presente e aquilo que queremos seja o nosso futuro, e menos com aquilo que o passado já transformou em história.
É evidente que a história nos dá a nossa dimensão e nos indica um rumo que tem de ser coerente com tudo aquilo que fizemos até aqui. Mas quem se limite a valorizar o passado, ficando preso nesse tempo, é alguém que está perdido, porque a história só por si não nos garante o futuro, esse depende apenas do que fizermos no presente.
Os benfiquistas sabem que o que fizemos até hoje não foi pouco, mas sabem também que estamos obrigados a fazer muito mais.
Esta é uma data em que devemos renovar os valores e os compromissos em que nasceu e se construiu a história deste Clube. Renovar os compromissos significa, acima de tudo, manter o mesmo inconformismo que levou os nossos fundadores a constituir o Sport Lisboa e Benfica.
O nosso tempo é um tempo de mudança, de dificuldades, de grandes dúvidas em relação ao futuro, mas é igualmente um tempo de reafirmação e de aposta naquela que é a força principal e razão de ser do Sport Lisboa e Benfica: os seus sócios.
Isolados nunca conseguiremos nada, juntos podemos aspirar a tudo. É este o sentido da minha palavra nesta cerimónia.
A importância de valorizar e destacar o papel dos sócios, de apelar à sua participação em todos os momentos do Clube, de lhes pedir que quando outros desistem eles continuam, que quando outros abandonam, nós seguimos juntos – e somos mais de 240 mil.
Sempre o disse e sempre o defendi, o Sport Lisboa e Benfica é dos seus sócios, essa é a nossa grandeza e a nossa força. Se algum dia os sócios do Benfica deixassem de ser os proprietários do Clube, o Benfica passaria a ser uma realidade bem diferente, mas tenho a certeza de uma coisa: deixaria de ser o Benfica. Nunca contem comigo para tal. Comigo o Benfica será sempre dos seus sócios!
O sucesso, seja ele no futebol ou nas modalidades, resulta sempre do trabalho de uma equipa e da solidez da estrutura que entretanto foi construída. Há um valor que todos reconhecem no actual Sport Lisboa e Benfica: somos hoje um dos mais respeitados Clubes do Mundo. Foi algo que conseguimos recuperar na última década.
Nada disto teria sido possível sem a coragem de um homem a quem hoje gostaria de prestar a minha mais sentida e pública homenagem. Perante um projecto esgotado, que nos ameaçou enquanto Clube e nos condenou a muitos anos de sofrimento, houve alguém que desafiou o destino e com a sua atitude “refundou” o Clube.
Quando no dia 28 de Outubro do ano 2000, Manuel Vilarinho foi eleito presidente do Sport Lisboa e Benfica, a nossa história começou a mudar e é a Manuel Vilarinho que devemos uma parte do que somos hoje!
Foi ele o protagonista da mudança. Quero, por isso, prestar-lhe a homenagem de quem sabe o que ele representou para a vida do nosso Clube, de quem sabe que sem a sua disponibilidade no ano 2000, hoje possivelmente não haveria nada para celebrar.
Foi Manuel Vilarinho que me permitiu servir o Benfica, foi ele que se lembrou de mim. Foi ele, contra a opinião de alguns, que me deu autonomia para começar a trabalhar da única maneira que sabia. Contei com a sua confiança e ele sabe que contou sempre com a minha total dedicação e lealdade.
Ele foi e continua a ser o meu Presidente e por isso quero aqui deixar-lhe o meu sentido agradecimento pela oportunidade que me deu em servir o Benfica.
Com ele e depois dele temos vindo a mudar com coragem, mas também com humildade e ousadia. Mudamos, tendo a consciência de que a mudança é um processo contínuo e que o valor do Benfica corresponde ao tamanho da nossa ambição, por isso é que o SL Benfica é enorme.
O impossível nunca é o que não se realiza, mas apenas aquilo que temos medo de tentar! Nesta Casa ninguém pode ter medo de tentar, por isso termino como comecei: acreditem nas nossas capacidades e no valor dos nossos profissionais. Acreditem e sejam optimistas em relação ao futuro!
E na sexta-feira conto com todos no Estádio da Luz. Juntos seremos sempre mais fortes. Nunca se esqueçam disso!
Viva o Benfica”






